sábado, 31 de dezembro de 2011

Lev S. Vygotsky

"Quanto mais rica a experiência humana, tanto maior será o material disponível para a imaginação e a criatividade".


Professor e pesquisador foi contemporâneo de Piaget, e nasceu em Orsha, pequena cidade da Bielorrusia em 17 de novembro de 1896, viveu na Rússia, quando morreu, de tuberculose, tinha 37 anos.

Construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico-social. Sua questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio.

Segundo Vygotsky, a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. A fim de explicar esse processo, ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL, que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes".

De acordo com Vygotsky “a escola tem o papel de fazer a criança avançar em sua compreensão de mundo a partir de seu desenvolvimento já consolidado e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas”. Por sua vez, “o professor tem o explícito papel de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (REGO, 1999, p. 85) .

O aluno só conseguirá atingir um nível de abstração em Matemática, por exemplo, se anteriormente ele foi estimulado com operações concretas, como o uso do ábaco, do material dourado, dos palitos de sorvete, das pedrinhas, das barrinhas de Cursinaire, entre tantos. Valemo-nos, mais uma vez, das contribuições de Vygotsty (1987 – p. 31) - “o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento” .

Ao ensinar/educar as crianças, o adulto deverá, ainda, utilizar sempre um vocabulário vasto, além de usar nomenclaturas corretas e dar explicações coerentes, que satisfaçam o grau de desenvolvimento delas. Tornando mais claro, se um professor que trabalha com crianças de quatro anos fazer uso contínuo de diminutivos, certamente elas assim o farão; falarão como o modelo apresentado. Mas, em outro exemplo, se alguém disser às crianças que a gripe é causada por um vírus e lhes der uma explicação plausível sobre o que é ‘isso', elas sairão, no final de cada processo, de cada momento de ensino-aprendizagem, mais bem preparadas, com um vocabulário mais rico e, certamente, não falarão à outra pessoa que a gripe é causada por uns ‘bichinhos'...

Vygotsky enfatiza o papel da intervenção no desenvolvimento, porém o seu objetivo maior é trabalhar com a importância do meio cultural e das relações entre indivíduos na definição de um percurso de desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia diretiva, autoritária.

Trabalha com a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe são transmitidos pelo grupo cultural. Imitação, para ele, é uma reconstrução individual daquilo que é observado nos outros.

Ele não toma a atividade imitativa como um processo mecânico, mas sim como uma oportunidade de a criança realizar ações que estão além de suas próprias capacidades, o que contribuiria para seu desenvolvimento. Ao imitar a escrita de um adulto, a criança está promovendo o amadurecimento de processos de desenvolvimento que a levarão ao aprendizado da escrita. Quando uma criança de três ou quatro anos imita um adulto utilizando-se da garatuja ou dos rabiscos contínuos, na tentativa de se comunicar via escrita, ela está tentando imitar a letra cursiva do adulto/modelo. Isso significa que está sendo, portanto, estimulada pelo meio e, após alcançar o NDP, assim o fará, se bem estimulada. Não se pode esquecer que todo esse mecanismo está intrinsecamente ligado e, ao mesmo tempo, se inter-relacionando com a maturidade do sistema nervoso central. É preciso que tal sistema esteja amadurecido. Segundo alguns autores é por essa razão que a criança deve ser alfabetizada com sete anos.

A interação entre alunos também provoca intervenções no desenvolvimento das crianças. Ao propor uma atividade em grupo, o professor deve ter como objetivos, além dos específicos, a expectativa de que a ajuda mútua, as discussões, os levantamentos de hipóteses, sejam momentos de grande aprendizado.

Se o professor, por exemplo, dá uma tarefa individual aos alunos em sala de aula, a troca de informações e de estratégias entre as crianças não deve ser considerada como procedimento errado, pois pode tornar a tarefa um projeto coletivo extremamente produtivo para cada criança.

Quando um aluno recorre ao professor como fonte de informação para ajudá-lo a resolver algum tipo de problema escolar, não está burlando as regras do aprendizado, mas ao contrário, utilizando-se de recursos legítimos para promover seu próprio desenvolvimento. E uma das melhores formas de o professor ajudá-lo é propondo algo que o faça buscar uma resposta. Por exemplo, se um aluno lhe pergunta se ‘benefício' escreve-se com c, ç, s ou ss, o professor pode, juntamente com ele, buscar a resposta num dicionário. Ou pode propor um desafio para grupos de crianças, oferecendo-lhes uma lista com palavras para trabalharem e criarem regras ortográficas, fazendo-as defrontar-se com o problema.

Vygotsky exemplifica a importância das situações concretas e a fusão que a criança pequena faz entre os elementos percebidos e o significado. Numa situação imaginária, entretanto, a criança é levada a agir num mundo imaginário, onde a situação é definida pelo significado estabelecido pela brincadeira e não pelos elementos reais concretamente presente.

Ao brincar com um tijolinho de madeira como se fosse um carrinho, por exemplo, a criança se relaciona com o significado em questão e não com o objeto concreto. O tijolinho serve como uma representação de uma realidade ausente – um jogo simbólico. O brinquedo provê, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados – preparando-a para uma nova etapa de seu desenvolvimento. Portanto, a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, tem nítida função pedagógica e psicológica (catalisação de conflitos, por exemplo).

Outra função extremamente importante da escola é a de criar espaços/condições para promover a leitura e a escrita. Vygotsky tem uma abordagem genética da escrita: preocupa-se com o processo de aquisição. Para compreender o desenvolvimento da escrita é necessário estudar o que ele chama de “a pré-história da linguagem escrita” – o que se passa com a criança antes de ser submetida a processos deliberados de alfabetização.

Alguns exemplos de práticas didáticas baseadas nos estudos vygotskyanos

Alfabetização
Não se pauta por fases (como pré-silábica ou silábica, que orientam o construtivismo). O objetivo é ampliar o universo de expressões da criança para facilitar a incorporação da escrita. A ênfase é na elaboração da fala, da escrita e da leitura como instrumentos simbólicos que reprecutem no desenvolvimento mental.

O erro
Faz parte do processo de aprendizado, mas o professor deve apontá-lo sempre para que a criança o corrija. "Não se pode esperar que o aluno descurbra sozinho que errou", diz João Carlos. O construtivismo também faz correções, mas sempre considerando o desenvolvimento da criança.

Cópia
A criança deve contar com um ponto de partida para realizar suas próprias descobertas. Nesse sentido, o oferecimento de modelos de texto, por exemplo, é uma estratégia válida - desde que resulte numa atividade criativa, não numa cópia mecânica. O construtivismo rígido exclui o trabalho com cópias.



Para saber mais Pedagogia Indaiatuba recomenda:

  • A Formação Social da Mente, Lev Vygotsky, Martins Fontes.
  • Pensamento e Linguagem, Lev Vygotsky, Martins Fontes.
  • Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem, Yygotsky, Luria e Leontiev, Ícone Editora e Editora da USP.
  • A Linguagem e o Outro no Espaço Escolar - Vygotsky e a Construção do Conhecimento, Ana Smolka e Mari Cecilia Goes, Papirus.
  • O Pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil, Maria Teresa de Assunção Freitas, Papirus.
  • Psicologia na Educação, Claudia Davis e Zilma Oliveira, Cortez.
  • Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento - Um Processo Sócio-Histórico, Marta Kohl de Oliveira, Scipione.
  • Vygotsky e a Educação, Luis Moll, Artes Médicas.
  • Vygotsky - Uma Perspectiva Histórico-Cultural da Educação, Teresa Cristina Rego, Vozes.
  • Vygotsky - Uma Síntese, Renê Van Der Veer e Jaan Vaisiner, Loyola.

Emilia Ferreiro

" Ler não é decifrar, escrever não é copiar"

Emilia Ferreiro, a psicolingüista argentina, discípula de Jean Piaget, revolucionou o conhecimento que se tinha sobre a aquisição da leitura e da escrita quando lançou, com Ana Teberosky, o livro Psicogênese da Língua Escrita, em que descreve os estágios pelos quais as crianças passam até compreender o ler e o escrever. Crítica ferrenha da cartilha, ela defende que os alunos, ainda analfabetos, devem ter contato com diversos tipos de texto. Passadas mais de duas décadas, o tema permanece no centro dos interesses da pesquisadora, que se indigna com quem defende o método fônico de alfabetização, baseado em exercícios para treinar a correspondência entre grafemas e fonemas.

Emilia Ferreiro considera a alfabetização não um estado, mas um processo que tem início bem cedo e não termina nunca. "Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer situação de uso da língua escrita. Temos mais facilidade para ler determinados textos e evitamos outros. O conceito também muda de acordo com as épocas, as culturas e a chegada da tecnologia" - Afirma.

Autora de várias obras, muitas traduzidas e publicadas em português, já esteve algumas vezes no país, participando de congressos e seminários. Falar de alfabetização, sem abordar pelo menos alguns aspectos da obra de Emilia Ferreiro, é praticamente impossível. Ela não criou um método de alfabetização, como ouvimos muitas escolas erroneamente apregoarem, e sim, procurou observar como se realiza a construção da linguagem escrita na criança.

Os resultados de suas pesquisas permitem, isso sim, que conhecendo a maneira com que a criança concebe o processo de escrita, as teorias pedagógicas e metodológicas, nos apontem caminhos, a fim os erros mais freqüentes daqueles que alfabetizam possam ser evitados, desmistificando certos mitos vigentes em nossas escolas.

Aqueles que são, ou foram alfabetizadores, com certeza, já se depararam com certos professores que logo ao primeiro mês de aula estão dizendo, a respeito de alguns alunos: não tem prontidão para aprender, tem problemas familiares, é muito fraca da cabeça, não fez uma boa pré-escola, não tem maturidade para aprender e tantos outros comentários assemelhados. Outras vezes, culpam-se os próprios educadores, os métodos ou o material didático. Com seus estudos, Ferreiro desloca a questão para outro campo: " Qual a natureza da relação entre o real e sua representação? " As respostas encontradas a esse questionamento levam, pode-se dizer, a uma revolução conceitual da alfabetização.

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal. Emilia Ferreiro percebe que de fato, as crianças reinventam a escrita, no sentido de que inicialmente precisam compreender seu processo de construção e suas normas de produção. " Ler não é decifrar, escrever não é copiar". Muito antes de iniciar o processo formal de aprendizagem da leitura/escrita, as crianças constroem hipóteses sobre este objeto de conhecimento.

Henri Wallon

"Reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. É a própria negação do ensino"

 
Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças é comum hoje em dia. No início do século passado, porém, essa idéia foi uma verdadeira revolução no ensino. Uma revolução comandada por um médico, psicólogo e filósofo francês chamado Henri Wallon. Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro, abalou as convicções numa época em que memória e erudição eram o máximo em termos de construção do conhecimento. Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas também suas emoções, para dentro da sala de aula. Baseou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. Militante apaixonado (tanto na política como na educação), dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. Ou seja, "a própria negação do ensino".

Diferentemente dos métodos tradicionais (que priorizam a inteligência e o desempenho em sala de aula), a proposta walloniana põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada. A abordagem é sempre a de considerar a pessoa como um todo. Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano. As atividades pedagógicas e os objetos, assim, devem ser trabalhados de formas variadas. Numa sala de leitura, por exemplo, a criança pode ficar sentada, deitada ou fazendo coreografias da história contada pelo professor. Os temas e as disciplinas não se restringem a trabalhar o conteúdo, mas a ajudar a descobrir o eu no outro. Essa relação dialética ajuda a desenvolver a criança em sintonia com o meio.

Wallon considerava que entre a psicologia e a pedagogia, deveria haver uma relação de contribuição recíproca. A pedagogia oferecia campo de observação à psicologia e a psicologia ao construir conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil, oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica.

Wallon propõe o estudo integrado do desenvolvimento, ou seja, que este abarque os vários funcionais nos quais se distribui a atividade infantil ( afetividade, motricidade, inteligência ). Podemos definir o projeto teórico de Wallon como a elaboração de uma psicogênese da pessoa completa.

Segundo Wallon, para a compreensão do desenvolvimento infantil, não bastam os dados fornecidos pela psicologia genética, é preciso recorrer a dados provenientes de outros campos de conhecimento. Neurologia, psicopatologia, antropologia e a psicologia infantil, foram os campos de comparação privilegiados por Wallon.

Em suas idéias pedagógicas. Wallon propõe que a escola reflita acerca de suas dimensões sócio-políticas e aproprie-se de seu papel no movimento de transformações da sociedade. Propõe uma escola engajada, inserida na sociedade e na cultura, e, ao mesmo tempo, uma escola comprometida com o desenvolvimento dos indivíduos, numa prática que integre a dimensão social e a individual.



Para saber mais Pedagogia Indaiatuba recomenda:

  • Henri Wallon: Uma Concepção Dialética do Desenvolvimento Infantil , Izabel Galvão, 132 págs., Ed. Vozes.
  • A Infância da Razão: Uma Introdução à Psicologia da Inteligência de Henry Wallon , Heloysa Dantas, 112 págs., Ed. Manole.
  • As Origens do Caráter na Criança, Henry Wallon, 278 págs., Ed. Nova Alexandria.
  • As Origens do Pensamento na Criança, Henri Wallon, 540 págs.
  • Wallon, Vygotsky, Piaget: Teorias Psicogenéticas em Discussão, Yves de la Taille, Marta Kohl de Oliveira e HeloysaDantas, 120 págs., Summus Editorial.

Maria Montessori

"A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir" .


Maria Montessori - Primeira mulher a se formar em Medicina em seu país, foi também pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento.

Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino. Montessori defendia uma concepção de educação que se estende além dos limites do acúmulo de informações. O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma "educação para a vida". A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender — conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos.

O método Montessori é fundamentalmente biológico. Sua prática se inspira na natureza e seus fundamentos teóricos são um corpo de informações científicas sobre o desenvolvimento infantil. Segundo seus seguidores, a evolução mental da criança acompanha o crescimento biológico e pode ser identificada em fases definidas, cada uma mais adequada a determinados tipos de conteúdo e aprendizado.

Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter capacidade de amar.

A educadora acreditava que esses seriam os fundamentos de quaiquer comunidades pacíficas, constituídas de indivíduos independentes e responsáveis. A meta coletiva é vista até hoje por seus adeptos como a finalidade maior da educação montessoriana.

Ao defender o respeito às necessidades e aos interesses de cada estudante, de acordo com os estágios de desenvolvimento correspondentes às faixas etárias, Montessori argumentava que seu método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais eficiente do que os tradicionais. Os pequenos conduziriam o próprio aprendizado e ao professor caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial.

Por causa dessa perspectiva desenvolvimentista, Montessori elegeu como prioridade os anos iniciais da vida. Para ela, a criança não é um pretendente a ser adulto e, como tal, um ser incompleto. Desde seu nascimento, já é um ser humano integral, o que inverte o foco da sala de aula tradicional, centrada no professor. Não foi por acaso que as escolas que fundou se chamavam Casa das Crianças (Casa dei Bambini, em italiano), evidenciando a prevalência do aluno. Foi nessas "casas" que ela explorou duas de suas idéias principais: a educação pelos sentidos e a educação pelo movimento.

Nas escolas montessorianas, o espaço interno era é cuidadosamente preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o desenvolvimento da independência e da iniciativa pessoal. Assim como o ambiente, a atividade sensorial e motora desempenha função essencial. Ou seja, dar vazão à tendência natural que a garotada tem de tocar e manipular tudo o que está ao seu alcance.

Maria Montessori defendia que o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que os pequenos exploram e decodificam o mundo ao seu redor. "A criança ama tocar os objetos para depois poder reconhecê-los", disse certa vez. Muitos dos exercícios desenvolvidos pela educadora — hoje utilizados largamente na Educação Infantil — objetivam chamar a atenção dos alunos para as propriedades dos objetos (tamanho, forma, cor, textura, peso, cheiro, barulho).

O método Montessori parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didáticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho. São objetos simples, mas muito atraentes, e projetados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.

Atividades Montessorianas


É a característica da escola montessoriana criar um ambiente propício para as crianças, levando considerando inclusive a decoração dos espaços e os materiais adequados ao desenvolvimento infantil. “É fundamental educar os sentidos, depois o intelecto”, acreditava Maria, que defendia a tese de que os pequenos deviam ter a liberdade de escolher o que desejavam trabalhar.
O método pesquisado e desenvolvido por Montessori, é especialmente para as crianças e têm como objetivo principal a Educação sensorial dos sentidos, como o tato, olfato, paladar, audição e linguagem e equilíbrio corporal.
Desenvolvida a partir de atividades diferenciadas, o método também têm como objetivo criar condições de apropriação de valores como: autonomia, normalização e construção de conhecimento.
Autonomia está relacionada com ser independente, ou seja, fazer as atividades de vida diária sozinho. Normalização trás o sentido de aprender a cumprir com as regras sociais, valor fundamental para o convívio sadio com grupos sociais e carregando com ela a importância de aprender a ter conseqüências com a escolha de alguma coisa. Construção de conhecimento, atualmente a pedagogia moderna trabalha com a noção de construção de conhecimento, como o aluno sendo protagonista desta construção, e o professor o mediador das construções. Como conseqüência desta construção o aluno aprende aquilo quer lhe carrega sentido.
As atividades montessorianas criam inúmeras condições para o desenvolvimento destes valores.

















     Aula de linha
    Atividade que têm como objetivo específico a apresentação de noções e a construção de conhecimento mediada pela professora. Na Aula de Linha as crianças aprendem sobre animais, frutas, verduras, legumes, números, letras, moradias, atualidades, análise de quadros artistícos, artistas, pintores, escritores, gêneros musicais, instrumentos musicais , enfim toadas as noções importantes para a faixa etária que eles se encontram.
    Qualquer assunto que será apresentado no dia têm ao centro da Linha algo que o represente. As crianças nesta faixa etária estão em construção do raciocínio abstrato e compreendem algo a partir do concreto, não adianta falar sobre cavalo se ela não possui um conhecimento prévio sobre o mesmo, por exemplo.
    A Aula de linha é composta por cinco fases :
    1a fase - Atenção: Observação dos alunos ao que está no centro da roda e questionamento da professora sobre os conhecimentos prévios de cada um.
    2a fase - Andamento: Andar em círculo em cima da linha, com diversos movimentos do corpo, como: andar com as mãos na cabeça, andar na ponta dos pés, andar com um copo d´água na mão, etc. O objetivo é desenvolver a consciência corporal e temporal dos movimentos.
    3a fase - Desconcentração: Consiste na escolha das músicas pelos alunos, cada aluno escolhe a música favorita para o grupo cantar. Esta fase têm diversos objetivos e desenvolve muitas habilidades como : linguagem , ampliação de repertórios de palavras, atenção , concentração, memória, autonomia e respeito, pois, os alunos aprendem a respeitar as vontades dos outros.
    4a fase – Diálogo (conversa plural): Construção de conhecimento simbólico para as crianças, pois, a professora vai associar o conhecimento prévio com outras informações sobre o assunto, construindo novos sentidos para o mesmo assunto e aprendendo a relacioná-lo com a vida cotidiana.
    5a fase - Desabrochamento Feliz: Esta fase trabalha com as brincadeiras e têm como objetivo desenvolver a criatividade e a imaginação. Geralmente são contadas histórias para as crianças imaginarem as cenas e os personagens.
    6a fase - Lição do silêncio: As crianças devem aprender a ficar em silêncio para interiorizarem o que foi construído e aprendido, no silêncio escutam músicas de relaxamento, o assobio dos passarinhos e o barulho das outras crianças no pátio.

    Trabalho Pessoal
    O ambiente para o desenvolvimento desta atividade necessita ser livre e organizado, para que as crianças possam aprender a organização, disciplina e autonomia. Consiste em ser um trabalho socializante.
    Os materiais utilizados para a atividade são tapetes de curvim e materiais pedagógicos e montessorianos. Na sala deve conter tapetes individuais e quando as crianças estiverem trabalhando não deve sobrar nenhum tapete na prateleira , com relação aos brinquedos a mesma coisa, porém o montessoriano deve ter apenas um de cada vez na prateleira.
    As crianças têm a livre escolha de optar pelo material que quer utilizar e somente irá manusea-lo em cima do seu tapete , conhecido como “ casinha”, e requer cuidados como limpeza e conservação.
    Quando há uma escolha por algo que meu amigo está trabalhando, preciso esperar ele guardar o material na prateleira para pega-lo.
    Ao término de cada material o aluno deve aprender guarda-lo e coloca-lo na prateleira.
    OBS: A livre escolha das atividades pela criança é um aspecto fundamental para que exista a concentração e para que a atividade seja formadora e imaginativa.
    Essa escolha se realiza com ordem disciplina e com um relativo silêncio.






    Vida Prática
    Acontece em todos os ambientes da escola, campo, parque , sala de informática, casinha de boneca, no lanche, no banheiro, enfim em todos os momentos do cotidiano escolar, porém, uma atividade sempre é escolhida pela professora para ser realizada e estudada a sua importância.
    A professora escolhe a vida prática a partir da necessidade da classe.
    A vida prática têm como objetivo cuidados pessoais, cuidados com as plantinhas e boas maneiras. Criando condições dos alunos desenvolverem autonomia para as atividades de vida diária.

    OBS: O silêncio também desempenha papel preponderante.
    A criança fala quando o trabalho assim o exige, a professora não precisa falar alto.

    Materiais Montessorianos

    Os materiais montessorianos, específicos do método, foram desenvolvidos a partir das necessidades de trabalhar com os órgãos de sentidos das crianças. Pressupõem a compreensão das coisas a partir delas mesmas, tendo como função a estimular e desenvolver na criança, um impulso interior que se manifesta no trabalho espontâneo do intelecto.
    Montessori produziu uma série de cinco grupos de materiais didáticos:
    • Exercícios Para a Vida Cotidiana
    • Material Sensorial
    • Material de Linguagem
    • Material de Matemática
    • Material de Ciências
    Todos os materiais tem maneiras corretas de utilizá-los que são aprendidas nas “aulas de linha”.
    São divididos por série, sendo que o nível de dificuldade de compreendê-lo vai aumentando conforme a série. Estes materiais se constituem de peças sólidas de diversos tamanhos e formas: caixas para abrir, fechar e encaixar; botões para abotoar; série de cores, de tamanhos, de formas e espessuras diferentes. Coleções de superfícies de diferentes texturas e campainhas com diferentes sons.
    O Material Dourado é um dos materiais criado por Maria Montessori. Este material baseia-se nas regras do sistema de numeração, inclusive para o trabalho com múltiplos, sendo confeccionado em madeira, é composto por: cubos, placas, barras e cubinhos. O cubo é formado por dez placas, a placa por dez barras e a barra por dez cubinhos. Este material é de grande importância na numeração, e facilita a aprendizagem dos algoritmos da adição,da subtração, da multiplicação e da divisão.
    O Material Dourado desperta no aluno a concentração, o interesse, além de desenvolver sua inteligência e imaginação criadora, pois a criança, está sempre predisposta ao jogo. Além disso, permite o estabelecimento de relações de graduação e de proporções, e finalmente, ajuda a contar e a calcular.
    O aluno usa (individualmente) os materiais a medida de sua necessidade e por ser autocorretivo faz sua auto-avaliação. Os professores são auxiliares de aprendizagem e o sistema peca pelo individualismo. Embora, hoje sua utilização é feita em grupo.
    No trabalho com esses materiais a concentração é um fator importante. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação, e, quando terminam, a criança se solta, feliz com sua concentração, comunicando-se então com seus semelhantes, num processo de socialização.

    Considerações sobre o método
    Algumas considerações importantes sobre o método montessoriano:
    • Quem entra numa sala de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão misturados a elas, observando ou ajudando. Não existe hora do recreio, porque não se faz a diferença entre o lazer e a atividade didática. Nessas escolas as aulas não se sustentam num único livro didático. Os estudantes aprendem a pesquisar em bibliotecas (e, hoje, na internet) para preparar apresentações aos colegas.
    • Pés e mãos tem grande destaque nos exercícios sensoriais (não se restringem apenas aos sentidos), fornecendo oportunidade às crianças de manipular os objetos, sendo que a coordenação se desenvolve com o movimento.
    • Em relação à leitura e escrita, na escola montessoriana, as crianças conhecem as letras e são introduzidas na análise das palavras e letras; estando a mão treinada e reconhecendo as letras, a criança pode escrever palavras e orações inteiras.
    • Em relação à matemática os materiais permitem o reconhecimento das formas básicas, permitem o estabelecimento de graduações e proporções, comparações, induzem a contar e calcular.
    • Ambiente físico montessoriano se caracteriza por ser proporcional ao tamanho da criança, limitado para evitar estímulos em excesso; simples e modificável, para favorecer o ajuste aos interesses do momento, ordenado, atraente, calmo, bem arejado e espaçoso. Deve então, o ambiente da escola, fornecer situações cheias de vida e estímulos necessários a uma grande atividade mental.
    • As crianças de uma escola elementar montessoriana são agrupadas da seguinte maneira: dos três aos seis anos, dos nove aos doze anos, ocupando cada grupo salões determinados, mas não rigidamente separados. Na escola montessoriana, a aula das crianças dos três aos seis anos é pouco separada das crianças de sete a nove anos, fazendo com que os pequenos tirem sugestões das classes sucessiva para a organização do seu estudo, assim como os mais velhos também aprendem com os mais novos. Por isso, a organização das salas de aula é dividida por meias paredes, facilitando o acesso de um grupo para outro; assim todos participam e se ajudam mutualmente.

    Professor Montessoriano
    Para Montessori, o trabalho do professor é o de um Guia. Ele guia ensinando o manuseio do material, utilizando palavras exatas, orientando cada trabalho; guia ao impedir qualquer desperdício de energia ou, eventualmente, restabelecendo o equilíbrio.
    Seu dever principal na prática, é o de explicar o uso do material. Os objetos, e não o ensinamento da professora; sendo a criança que os usa, ela é a entidade ativa, e não a mestra.

    O educador montessoriano tem como funções:
    • Preparar o ambiente e o material;
    • Levar a criança a se auto- corrigir;
    • Levar a criança a se auto- disciplinar;
    • Levar a criança a respeitar o trabalho dos colegas;
    • Servir de intermediário entre o material e a criança;
    • Ensinar o manuseio do material e o método de trabalho;
    • Ser um elo de união entre o meio e a criança.

    Para que isso ocorra o educador deve:
    • "Diminuir" para que a criança possa crescer;
    • Deixar a criança ser o centro do processo educativo;
    • Ser alguém que influencia e não impõe;
    • Ser firme e seguro na colocação de limites;
    • Evitar ajudas inúteis naquilo que a criança mesma tem capacidade de fazer; •Ser silencioso, tranquilo, falando pouco e em agradável voz baixa; •Moderado nos gestos, avesso à pressa;
    • Exato na apresentação do material, concentrado naquilo que está fazendo;
    • Evitar prêmios e castigos.
    Para iniciar e induzir os aprendizes às atividades, o professor deve constituir-se um modelo e apenas sugerir. Seu papel nesse processo é apenas de um "indicador". Ele só consegue o progresso dos alunos quando indica, orienta e põe à disposição da criança uma graduação de exercícios.
    A técnica a ser observada é a seguinte:
    • isolar o objeto (deixando sobre a mesa da criança unicamente o material que vai apresentar);
    • apresentá-lo com absoluta exatidão (indicando como ele deve ser manipulado, realizando, ele mesmo, uma ou duas vezes, o exercício);
    • prevenir o uso incorreto (controlando qualquer displicência, ditada pela má vontade, face às instruções);
    • respeitar a atividade útil (concedendo à criança o direito de repetir o mesmo exercício pelo tempo que quiser, sem ser interrompido em suas atividades).
    • providenciar para que o trabalho seja concluído (habituando o aprendiz a, terminando o exercício, devolver o material ao lugar que lhe compete).

    " Quanto mais ativo é o mestre, mais passiva é a criança.
    Quanto mais passivo é o mestre, mais ativa é a criança."
     
    Para saber mais Pedagogia Indaiatuba recomenda:

    • Educação Montessori: De um Homem Novo para um Mundo Novo, Izaltina de Lourdes Machado, 90 págs., Ed. Pioneira.
    • Estudo do Sistema Montessori, Vera Lagoa, 192 págs., Ed. Loyola.
    • Mente Absorvente, Maria Montessori, 318 págs., Ed. Nórdica.
    • Site da Organização Montessori do Brasil : http://www.omb.org.br

    Jean Piaget


    " O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança
    descobrir. Cria situações-problemas".

    Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.
    Até o início do século XX assumia-se que as crianças pensavam e raciocinavam da mesma maneira que os adultos. A crença da maior parte das sociedades era a de que qualquer diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era sobretudo de grau: os adultos eram superiores mentalmente, do mesmo modo que eram fisicamente maiores, mas os processos cognitivos básicos eram os mesmos ao longo da vida.
    Piaget, a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas outras crianças, concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não pensam como os adultos. Por ainda lhes faltarem certas habilidades, a maneira de pensar é diferente, não somente em grau, como em classe.
    A teoria de Piaget do desenvolvimento cognitivo é uma teoria de etapas, uma teoria que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis.
    O interacionismo, a idéia de construtivismo seqüencial e os fatores que interferem no desenvolvimento são os pressupostos básicos de sua teoria.
    A criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo momento interage com a realidade, operando ativamente com objetos e pessoas.
    Essa interação com o ambiente faz com que construa estrutura mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-meio e essa interação acontece através de dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida.
    Considera, ainda, que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e equilibração (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).
    A educação na visão Piagetiana: com base nesses pressupostos deve possibilitar à criança um desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório- motor até o operatório abstrato.
    A escola deve partir dos esquemas de assimilação da criança, propondo atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento.
    Para construir esse conhecimento, as concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio, na medida em que o conhecimento não é concebido apenas como sendo descoberto espontaneamente pela criança, nem transmitido de forma mecânica pelo meio exterior ou pelos adultos, mas, como resultado de uma interação, na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que procura ativamente compreender o mundo que o cerca, e que busca resolver as interrogações que esse mundo provoca.
    É aquele que aprende basicamente através de suas próprias ações sobre os objetos do mundo, e que constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo que organiza seu mundo. Não é um sujeito que espera que alguém que possui um conhecimento o transmita a ele por um ato de bondade.
    Principais objetivos da educação segundo Piaget : formação de homens "criativos, inventivos e descobridores", de pessoas críticas e ativas, e na busca constante da construção da autonomia.
    Piaget não propõe um método de ensino, mas, ao contrário, elabora uma teoria do conhecimento e desenvolve muitas investigações cujos resultados são utilizados por psicólogos e pedagogos.
    Implicações do pensamento piagetiano para a aprendizagem
    • Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno, partir das atividades do aluno.
    • Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas como instrumentos que servem ao desenvolvimento evolutivo natural.
    • primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno ao invés de receber passivamente através do professor.
    • A aprendizagem é um processo construído internamente.
    • A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito.
    • A aprendizagem é um processo de reorganização cognitiva.
    • Os conflitos cognitivos são importantes para o desenvolvimento da aprendizagem.
    • A interação social favorece a aprendizagem.
    • As experiências de aprendizagem necessitam estruturar-se de modo a privilegiarem a colaboração, a cooperação e intercâmbio de pontos de vista na busca conjunta do conhecimento.
    Piaget não aponta respostas sobre o que e como ensinar, mas permite compreender como a criança e o adolescente aprendem, fornecendo um referencial para a identificação das possibilidades e limitações de crianças e adolescentes. Desta maneira, oferece ao professor uma atitude de respeito às condições intelectuais do aluno e um modo de interpretar suas condutas verbais e não verbais para poder trabalhar melhor com elas.
    Para saber mais Pedagogia Indaiatuba recomenda:
    • LIMA, Lauro de Oliveira. Piaget para principiantes . 2. ed. São Paulo: Summus, 1980. 284 p.
    • PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança . 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. 389 p.

    Paulo Freire

    "Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo! Todos sabemos alguma coisa; todos ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre". ..

    Paulo Hegallus Neves Freire (1921-1997) antes de qualquer denominação, foi um ser humano como poucos, tinha o desejo de ajudar as pessoas sem sentir pena delas, pois achava que era um direito de todo homem e de toda mulher, criança, jovem, adulto ou idoso, saber ler e escrever, ter o conhecimento das coisas e utilizar a educação como um exercício de liberdade. O método utilizado pelo educador nega a mera repetição alienada e alienante de frases, palavras e sílabas ao propor aos alfabetizandos "ler o mundo" e "ler a palavra", leituras, aliás, como enfatiza Freire, indissociáveis. Daí ter vindo se posicionando contra as cartilhas.
    Paulo Freire esteve no exílio por quase dezesseis anos, exatamente porque compreendeu a educação desta maneira e, lutou para que um grande número de brasileiros e brasileiras tivesse acesso a esse bem a eles negado secularmente: o ato de ler a palavra lendo o mundo.
    "Seu" trabalho foi profícuo "mudando a cara da escola", Reformou as escolas entregando-as às comunidades locais dotadas de todas as condições para o pleno exercício das atividades pedagógicas. Reformulou o currículo escolar para adequá-lo também às crianças das classes populares e procurou capacitar melhor o professorado em regime de formação permanente.
    Não esqueceu de incluir o pessoal instrumental da escola como agente educativo formando-o para desempenhar adequadamente tal tarefa. Eram os vigias, as merendeiras, as faxineiras, os (as) secretários (as) que, ao lado de diretores (as) , professores (as), alunos (as), e pais de alunos, faziam do ato de educar um ato de conhecimento, elaborado em cooperação a partir das necessidades socialmente sentidas. A obra de Paulo Freire está orientada para a emancipação da pessoa humana, para a liberdade dos povos e à justiça social entre os homens, para a democracia autêntica como soberania popular e para a paz entre os cidadãos, num clima de humanização e de conscientização.
    A eficácia e validade do Método de Freire consistem em partir da realidade do alfabetizando, do que ele já conhece, do valor pragmático das coisas e fatos de sua vida cotidiana, de suas situações existenciais. Respeitando o senso comum e dele partindo, Freire propõe a sua superação. O "Método" obedece às normas metodológicas e lingüísticas, mas vai além delas, porque desafia o homem e a mulher que se alfabetizam a se apropriarem do código escrito e a se politizarem, tendo uma visão de totalidade da linguagem e do mundo.

    Para saber mais recomendo:
    • PAIVA, Vanilda Pereira. Paulo freire e o Nacionalismo-Desenvolvimentista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980
    • PAULO, Freire. A Educação na Cidade. São Paulo: Cortez, 1995.
    • Cunha; OLIVEIRA, Miguel Darcy de; BARRETO, José Carlos; GIFFONI, Vera Lúcia. O Processo Educativo Segundo Paulo Freire e Pichon Rivière. Rio de Janeiro: Vozes, 1987.

      P rofessor, mestre, exímio Educador
      A lfabetizando crianças, adultos e oprimidos
      U m defensor do sempre amor
      Livros e mais livros vendidos
      O ser de mente límpida, um sedutor....
      Fazendo da escola um ambiente igualitário
      Reinando em nosso meio como uma luz
      Entrando em nosso trabalho.....Sem comentário!
      Indo e vindo livremente
      Rindo, brincando de educar
      Eterno, imortal, aqui sempre estarás presente
      Autoria: Paty Fonte

    O pensamento de Freire através da ludicidade

    História de Paulo Freire através do teatro de bonecos

    Teatro de bonecos - Paulo FreireCom o objetivo de divulgar parte da obra e prestar uma homenagem ao grande mestre Paulo Freire, o arte educador Isaias José (Zazá) elaborou uma proposta que utiliza a linguagem do teatro de bonecos e da musica.
    Seu principal intuito é apresentar ao público algumas das principais idéias do educador e dessa forma explanar experiências por ele vividas nos círculos de cultura em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo. Tal trabalho procura explicitar no contexto da história da educação a concepção dialética e libertadora da educação concebida pelo educador Paulo Freire.
    Para realização deste trabalho o artista e educador social Isaias José – Zazá desenvolveu sua pesquisa elaborando um roteiro que apresenta alguns relatos da experiência prática em círculos de cultura de alfabetização de jovens e adultos do próprio educador Paulo Freire, depoimentos de importantes pensadores da área da educação que com Paulo Freire fundaram o IPF - Instituto Paulo Freire em São Paulo e que além de conhecer o conjunto de sua obra tiveram a oportunidade de conhecer sua prática como educador. Desenvolveu também nesta pesquisa entrevista com depoimentos de Lutgardes Costa Freire, filho de Paulo Freire, e de outros colaboradores da educação que o acompanharam em sua trajetória de vida.
    No espetáculo a personagem de Paulo Freire (boneco) interage com a platéia relatando algumas histórias de suas experiências acontecidas nos círculos de cultura nos grupos de alfabetização de jovens e adultos em várias regiões do Brasil e em outros países durante o período do exílio político.

    A utilização da linguagem do Teatro de Bonecos e da Música nesta proposta além de criar uma atmosfera lúdica, permite estabelecer uma comunicação eficaz com o publico acerca do legado de Paulo Freire. Mas do que homenageá-lo em morte, a proposta pretende esclarecer ao publico as principais contribuições que o homem e cidadão Paulo Freire trouxe à sociedade contemporânea e à ciência. Todo trabalho é marcado pelas características da cultura popular, do humor e da ludicidade.
    É importante salientar que esse trabalho vem sendo realizado em universidades, congressos e seminários de educação em São Paulo e outras cidades. Nos últimos três anos foram realizadas apresentações em eventos organizados pelo IPF – Instituto Paulo Freire e pelo NTC – Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC-SP. Em março de 2009 foi apresentado no TUCA – Teatro da Universidade Católica de São Paulo no lançamento do livro Pedagogia Social. Os nove autores brasileiros, todos pioneiros no estudo do tema, desenvolvem reflexões sobre a aplicabilidade da Pedagogia Social em contextos diversos da realidade brasileira. O livro aborda a Pedagogia Social como uma nova área de conhecimento das Ciências da Educação e delineia seus campos de atuação, de formação e de pesquisa no Brasil.
                         Por que “Educar para transformar”?
    Jason Ferreira Mafra - IPF
    Educar para transformar reflete o elemento central da pedagogia freiriana. Paulo Freire acreditava que a Educação só cumpriria a sua função fundamental, qual seja, a humanização de mulheres e homens, caso se transformasse em ferramenta de mudança social. Tinha consciência de que ela não pode fazer a transformação social, em termos estruturais. Afirmava, porém, que nenhuma mudança profunda na sociedade aconteceria sem a Educação. Por sua natureza, esse espaço privilegiado da cultura não deve esperar os desdobramentos econômicos e políticos para mudar. Para Freire, a Educação sozinha não revoluciona a sociedade, mas ela pode transformar pessoas para se engajarem nessa tarefa. Educar, na linguagem freiriana, é o duplo movimento da existência humana de “ler e transformar o mundo”.

    Grandes Pensamentos de Paulo Freire

    "Educar e educar-se, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que pouco sabem - por isto sabem que sabem algo e podem assim chegar a saber mais - em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais".
    "O mundo não é, o mundo está sendo".
    "A leitura do mundo precede a leitura da palavra"
    "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda".
    "O homem, ser de relações, e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo"
    "É porque eu amo o mundo que luto para que a justiça social venha antes da caridade"
    "Somente o homem pode distanciar-se do objeto para admirá-lo"
    "Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão."
    "Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".
    "A educação modela as almas e recria os corações. Ela é a alavanca das mudanças sociais
    "Não posso continuar sendo humano se faço desaparecer em mim a esperança"
    ''Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes''
    "Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha".
    "O tempo que levamos dizendo que para haver alegria na escola é preciso primeiro mudar radicalmente o mundo é o tempo que perdemos para começar a inventar e a viver a alegria".
    "...aprender não é um ato findo.Aprender é um exercício constante de renovação..."
    "...Inauguram o desamor, não os desamados, mas os que não amam, porque apenas se amam..."
    "A amorosidade de que falo, o sonho pelo qual brigo e para cuja realizacao me preparo permanentemente, exigem em mim, na minha experiencia social, outra qualidade: a coragem de lutar ao lado da coragem de AMAR!!!"

    "Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero."
    "Por isso a alfabetização não pode ser feita de cima para baixo, como uma dádiva ou uma imposição, mas de dentro para fora, pelo próprio analfabeto e apenas com a colaboração do educador".

    "Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens educam-se entre si, mediados pelo mundo".
    "A teoria sem a prática é puro verbalismo inoperante, a prática sem a teoria é um atavismo cego".
    "O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer uma ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica em invenção e em reinvenção".
    "Estudar exige disciplina. Estudar não é fácil. porque estudar pressupõe criar, recriar, e não apenas repetir o que os outros dizem ..."

    "Estudar é um dever revolucionário"

    "A escola sozinha não muda as condicões de injustiças sociais... Resta perguntar: Está fazendo tudo que pode?"
    "Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes,mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor. Gente mais gente".

    "A educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando".
    "Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre".
    " Não se deve confundir liberdade com libertinagem".
    "Ai de nós, educadores e educadoras, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis".
    "Educar é educar-se na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem - por isso sabem algo e podem assim chegar a saber mais - em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais."
    "Crescer como Profissional,significa ir localizando-se no tempo e nas circunstâncias em que vivemos,para chegarmos a ser um ser verdadeiramente capaz de criar e transformar a realidade em conjunto com os nossos semelhantes para o alcance de nosso objetivos como profissionais da Educação".
    "Se nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da eqüidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção"...
    "O educador se eterniza em cada ser que educa".
    "Todo conhecimento é auto-conhecimento".
    "Sem limites, é impossível que a liberdade se torne liberdade e também é impossível para a autoridade realizar sua obrigação, que é precisamente a de estruturar limites"
    "O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele".
    "Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade."
    “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa”.
    " Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo.
    A escola em que se pensa, em que se cria, em que se fala, em que se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim a vida"
    " É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática."
    É preciso ousar, aprender a ousar , para dizer NÃO a burocratização da mente a que nos expomos diariamente".
    "É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional.
    Nao deixe que o medo do difícil paralise você".
    "Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção"
    "Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino".

    "A educação necessita tanto de formação técnica e científica como de sonhos e utopias".
    "A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico à serviço da mudança ou lamentavelmente, da permanência do hoje."

    Célestin Freinet



    O pedagogo francês Celéstin Freinet (1896-1966) foi um grande educador popular e um inovador que conseguiu a façanha de ser expulso do Partido Comunista e do sistema público de ensino francês, apesar dos excelentes resultados educativos de seus métodos. Com certeza, sua paixão pelo diálogo com as crianças e a aversão a qualquer forma de autoritarismo e de "didatismo" não angariaram muita simpatia para esse comunista convicto junto aos burocratas.
    Por volta de 1925, Freinet encontrava-se incapacitado de passar o dia dando aulas expositivas para os filhos de camponeses, seus alunos, nas aldeias do sul da França, por causa de um ferimento no pulmão durante a Primeira Guerra Mundial. Conhecedor das idéias da Escola Nova (na época, chamada de "Escola Ativa"), ele buscava caminhos para adaptá-las ao trabalho com crianças humildes.
    A solução veio quando Freinet comprou uma velha imprensa, dessas de fazer jornais, e colocou-a no coração de sua sala. As crianças começaram a montar textos em que descreviam seus passeios pela aldeia, seus sonhos, seu mundo. Eles eram compostos e impressos até pelas crianças ainda não alfabetizadas. Logo, os alunos trocavam, pelo correio tradicional, textos, desenhos e poesias com escolas da França, de outros países da Europa e até da África.
    Essa técnica, que ficou conhecida como correspondência interescolar, juntamente com os contatos com a comunidade e o texto livre (desenha-se e/ou escreve-se livremente sempre que houver vontade de expressar algo), constitui um dos fundamentos do método natural, criado por Freinet e relatado em uma série de livros belíssimos.
    O trabalho de Freinet despertou grande admiração, inclusive de Piaget, que considerava o educador francês um pedagogo genial. Também teve muitos críticos, que o censuravam por promover a anarquia e a falta de rigor. As acusações parecem injustas, especialmente quando constatamos o alto grau de desenvolvimento da autonomia e do espírito crítico em alunos que freqüentam boas escolas Freinet.
    O trabalho iniciado pelo pedagogo francês multiplicou-se e, até hoje, encontramos um grande número de escolas que adota a sua pedagogia. O trabalho de Freinet também pode inspirar escolas de linha mais tradicional que buscam renovar e enriquecer suas práticas.
    A pedagogia Freinet é centralizada na criança e baseada sobre alguns princípios:
        • senso de responsbilidade
        • senso cooperativo
        • sociabilidade
        • julgamento pessoal
        • autonomia
        • expressão
        • criatividade
        • comunicação
        • reflexão individual e coletiva
        • afetividade
    Invariantes Pedagógicas:



    1. A criança é da mesma natureza que o adulto.
    2. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.
    3. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional.
    4. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias.
    5. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto siginifica obedecer passivamente uma ordem externa.
    6. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.
    7. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa.
    8. Nnguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.
    9. É fundamental a motivação para o trabalho.
    10. É preciso abolir a escolástica.
    10- a. Todos querem ser bem-sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo.
    10- b. Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho.
    11. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experência tateante,que é uma conduta natural e universal.
    12. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a não ser quando está integrada no tateamento experimental,onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida.
    13. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às vezes se crê, mas sim pela experîencia. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois.
    14. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica.
    15. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e idéias.
    16. A criança não gosta de receber lições autoritárias.
    17. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida.
    18. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso carcteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente.
    19. As notas e classificações constituem sempre um erro.
    20. Fale o menos possível.
    21. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.
    22. A ordem e a disciplina são necessárias na aula.
    23. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativo.
    24. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador.
    25. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.
    26. A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras.
    27. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas.
    28. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade.
    29. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou modificá-la.
    30. É preciso ter esperança otimista na vida. (Sampaio, 1989: 81-99)



    Técnicas Freinet
        • Aula passeio
        • Texto livre
        • Imprensa escolar
        • Correção
        • Livro da vida
        • Fichário de consulta
        • Plano de Trabalho
        • Correspondência interescolar
        • Auto-avaliação
    Aula Passeio
    Por acreditar que o interesse da criança não estava na escola e sim fora dela, Freinet idealizou esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação e vida para a escola.

    Texto Livre
    É a base da livre expressão, pode ser um desenho, um poema ou pintura. A criança determina a forma, o tema e o tempo para sua realização. Porém se a criança desejar que seu texto seja divulgado deverá passar pela correção coletiva.
    Imprensa Escolar
    Seu ponto de partida são as entrevistas, pesquisas, vivências e aulas-passeio. Freinet usava o tipógrafo. Todo processo de construção e impressão é coletivo.

    Correção
    Para o texto ser divulgado é necessário que esteja perfeito e a correção é fundamental. Ela pode ser feita coletivamente, ou em auto-correção. Freinet acredita que o "erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba e faça o acerto.

    Livro da Vida
    Funciona como um diário da classe, registrando a livre expressão (texto, desenho e pintura). Esta atividade permite que as crianças exponham seus diferentes modos de ver a aula e a vida.

    Fichário de Consulta
    Põe a disposição da criança exercícios destinados à aquisição dos mecanismos do cálculo, ortografia, gramática, história, ciências etc. São construídas em sala de aula pelos professores na interação com a turma. Freinet criticava duramente os livros didáticos fora da realidade da criança.

    Plano de Trabalho
    Tendo o currículo escolar como ponto de partida, os grupos de alunos se organizavam para escolher as estratégias de desenvolvimento das atividades que podiam ser realizadas em grupos, duplas, ou individualmente. Para registro do plano são elaboradas fichas onde são anotadas as realizações da semana.
    Correspondência Interescolar
    É uma atividade em que a criança faz a aprendizagem da vida coooperativa, uma classe se corresponde com a outra. Depois dos professores terem se comunicado e organizado a forma. Podem enviar: cartas, textos, fitas, vídeos, desenhos e e-mail.

    Auto-Avaliação
    A criança registra o resultado do seu trabalho em fichas de auto-avaliação que permitem constantes comparações entre os trabalhos realizados. Segundo Freinet o aluno e o professor devem se avaliar regularmente.
    Para saber mais Pedagogia Indaiatuba recomenda:
    • FREINET, Celestin, BALESSE, L.. A leitura pela imprensa na escola. Lisboa: Dinalivro, 1977.
    • FREINET, Celestin, SALENGROS, R.. Modernizar a escola. Lisboa: Dinalivro, 1977.
    • FREINET, Elise. O itinerário de Célestin Freinet: a livre expressão na pedagogia de Freinet. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.
    • FREINET, Elise. Nascimento de uma pedagogia popular. Lisboa: Estampa, 1978.
    • SAMPAIO, Rosa Maria Whitaker Ferreira. Freinet: evolução histórica e atualidades. São Paulo: Scipione, 1989.