domingo, 25 de setembro de 2011

Quadro comparativo das concepções de Wallon, Piaget e Vygotsky

 

WALLON (1879 – 1962)
PIAGET (1896 – 1980 )
VYGOTSKY (1896 – 1934)
DEFINIÇÃO DO SER HUMANO
DEFINIÇÃO DO SER HUMANO
DEFINIÇÃO DO SER HUMANO
Geneticamente social: desenvolvimento biológico e desenvolvimento social – são estritamente complementares.
Origem interna é biológica, e externa é afetiva. Do estado orgânico para o cognitivo racional através do coletivo.
Piaget formula o conceito de epigênese, argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito, mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget, 1976 apud Freitas 2000:64).

A formação se dá numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade a seu redor - ou seja, o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. Essa relação não é passível de muita generalização; o que interessa para a teoria de Vygotsky é a interação que cada pessoa estabelece com determinado ambiente, a chamada experiência pessoalmente significativa.
 Esse processo, por sua vez, se efetua através de um mecanismo auto regulatório que consiste no processo de equilibração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido.

                  CRIANÇA
CRIANÇA
CRIANÇA
A afetividade faz a criança emergir do mundo orgânico para conceitos coletivos.
 Afetividade é o motor do movimento e aproxima-se com o desenvolvimento gnóstico.
 A inteligência do adulto é diferente da criança de forma qualitativa, a criança é inteligente ao seu modo.
A criança nasce para a vida psíquica pela emoção, que, ao lado do movimento, alimenta a simbiose inicial. O adulto é o mediador entre a criança e ela mesma, entre ela e os elementos do mundo cultural onde nasceu.
Ênfase na descoberta daquilo o que as crianças já tem, capacidades inatas.
Crença no fato de que as crianças já nascem com diferentes capacidades intelectuais.
As descobertas de Piaget demonstraram que a transmissão de conhecimentos é uma possibilidade limitada.
O conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz - um mecanismo que outros pensadores antes dele já haviam intuído, mas que ele submeteu à comprovação na prática.

Vygotsky opunha-se à "educação livre" das crianças admitindo que neste período do desenvolvimento,(desenvolvimento potencial).
Afirma que a criança não pode ser sujeito passivo na aquisição dos conhecimentos, ela deve ser ativa neste processo, trabalhando o desenvolvimento intelectual dentro do ambiente determinado pelos pais e professores.

DESENVOLVIMENTO
DESENVOLVIMENTO
DESENVOLVIMENTO
Dois tipos de pensamento o Sincrético e o Categorial. O primeiro confunde sentimentos afetivos com os objetivos. O segundo forma categorias apoiadas sob um fundo simbólico estável.
As condutas cognitivas surgem das afetivas; estas se subordinarão àquelas, alternando-se em fases centrípetas, voltadas para si mesmas, e centrífugas, de interesse pelo mundo humano ou pelo mundo físico.
Elas se dão da seguinte maneira:
·        Estágio impulsivo-emocional;
·        Estágio sensório-motor e projetiva;
·        Estágio do personalismo;
·        Estágio categorial;
·        Estágio da adolescência.
Desenvolvimento mental se dá em acordo com períodos de idade, estágios.
04 estágios: sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operacional (2 a 7 anos), operações ­concretas (7 a 11 anos) e operações formais (11 anos em diante).
Os estágios são em ordem sequencial e seguem uma ordem preestabelecida.

O processo relacional é a tônica do desenvolvimento humano.
Crença no método genético.
Diferenças qualitativas entre o adulto e a criança.
Os processos mentais resultam da inter-relação dos fatores internos e externos.
Dois níveis de desenvolvimento – o real e o potencial.
A Zona Proximal é o nível de desenvolvimento social. São as comunicações entre aquilo o que a criança já sabe e aquilo o que pode vir, a saber.

APRENDIZAGEM
APRENDIZAGEM
APRENDIZAGEM
As emoções são responsáveis pelas aprendizagens (envolvimento).
O ato mental se estabelece por atos motrizes, ação=pensamento.
Os processos superiores são arrolados através da afetividade, pelo caráter contagioso e coletivo.
A percepção se dá com as experiências do movimento.
O jogo infantil coletivo, antes da escola, desperta a atenção e a concentração.
Para ele, formar sujeitos históricos, autônomos, capazes de construir sua sociedade implicava em associar essa meta aos métodos pedagógicos, não sem se apoiar em princípios científicos relativos ao conhecimento da criança e do meio onde se desenvolve.
Esse desenvolvimento responde ao plano biológico em interação com o plano social: a criança concreta tem história, faz parte de um grupo social, traz consigo elementos da sua cultura. Além disso, a criança contextualizada apresenta características específicas em seu desenvolvimento.
O meio é o campo da atividade da criança, ao mesmo tempo em que dele retira recursos para sua ação. Cada etapa do desenvolvimento define um tipo particular de relação com o meio.
O processo da aprendizagem segue o do desenvolvimento.
Independência entre os processos de desenvolvimento e de aprendizagem.
Linearidade, continuidade e progressividade do desenvolvimento.
Afetividade é destaque no desenvolvimento cognitivo.
O jogo é o desenvolvimento da moral coletiva.
Os padrões intelectivos seguem os motivos afetivos, alavancas do processo.
Afinal, compreender é reinventar ou reconstruir através da reinvenção, e será preciso curvar-se ante tais necessidades se o que se pretende, para o futuro é termos indivíduos capazes de produzir ou de criar, e não apenas repetir. Quanto à noção de aprendizagem, caberá ao professor reconhecer de antemão que ela está subordinada ao desenvolvimento e não ao contrário.

A aprendizagem abre uma ilimitada gama de novas possibilidades mentais.
O jogo cria novas zonas proximais na criança.
Ao interagir o adulto empresta novas capacidades às crianças.
A ação surge no social, para depois se tornar movimento.
O aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança, mas um se alimenta do outro, provocando saltos de nível de conhecimento. O ensino, para Vygotsky, deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de aprender sozinho, porque, na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o primeiro vem antes. É a isso que se refere um de seus principais conceitos, o de zona de desenvolvimento proximal, que seria a distância entre o desenvolvimento real de uma criança e aquilo que ela tem o potencial de aprender – potencial que é demonstrado pela capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um adulto.
O importante no processo educacional é a formação da consciência que é de certa forma determinada pela natureza das relações que a engendra: trata-se das relações sociais com as quais cada sujeito realiza sua atividade coletiva, onde o trabalho ocupa lugar central.

            LINGUAGEM
LINGUAGEM
LINGUAGEM
Os processos do pensamento e da linguagem acontecem no coletivo.
A linguagem é a expressão e estrutura do pensamento.
A linguagem é suporte e instrumento para os progressos do pensamento e para a constituição do “eu”, revelando as diferentes fases pelas quais a criança passa.
·        Sensório-motora e projetiva;
·        Fase personalista;
·        Fase categorial.
O pensamento é concomitante a ação, ao agir pensa.
Fala egocêntrica – posição genética e estrutural para a fala voluntária e para o pensamento.
Subdivide a fala infantil em fala egocêntrica e fala socializada, ambas de origem biológica.
Dualização entre o consciente e o inconsciente.
O consciente é reconhecido como pensamento dirigido e social, o inconsciente como autista e individual.

O pensamento e a linguagem nascem a partir do complexo das inter-relações.
A fala primitiva da criança é essencialmente social. A função da fala é a comunicação com o outro.
A fala egocêntrica é a origem da fala interior e do pensamento.
Subdivide a fala infantil em fala egocêntrica e fala comunicativa, ambas de origem social: a primeira como estabelecimento primitivo do pensamento e a segunda como necessidade de comunicação.
Observa que o pensamento da criança pequena inicialmente evolui sem a linguagem; assim como os seus primeiros balbucios são uma forma de comunicação sem pensamento. Entretanto, já nos primeiros meses, na fase pré-intelectual, a função social da fala já é aparente: a criança tenta atrair a atenção do adulto por meio de sons variados. Até por volta dos dois anos, a criança possui um pensamento pré-linguístico e uma linguagem pré-intelectual, mas a partir daí, eles se encontram e se unem, iniciando um novo tipo de organização do pensamento e da linguagem. Nesse momento, surge o pensamento verbal e a fala racional. A criança descobre que cada objeto tem seu nome e a fala começa a servir ao intelecto e os pensamentos começam a ser verbalizados.

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